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  Clique e conheça a opinião de meus clientes. O vinho é história e conexão. Sou o Paulo Barão, sommelier, docente e consultor de vinhos, e atuo como sommelier para transformar o seu conhecimento sobre vinhos em experiências memoráveis.

O Solo e a sua importância nos vinhos.

O segredo de um grande vinho começa muito antes dele estar em sua taça e ainda quando ele encontra-se escondido bem debaixo dos nossos pés. É no solo que a videira encontra sua personalidade, absorvendo os nutrientes e a água que vão moldar o sabor, o aroma e a estrutura de cada uva. Essa relação tão íntima entre a terra e a planta é o coração do terroir. Compreender a importância do chão em que pisamos é o primeiro passo para desvendar por que um mesmo vinhedo pode criar histórias tão diferentes e fascinantes a cada diferente safra.

Imagine o vinho como sendo um grande artista de cinema, que tem no solo algo como que o berço das suas parreiras, parreiras essas que irão produzir uvas, que por sua vez darão origem aos vinhos. Portanto, se você pensar no solo como sendo a casa das uvas, ficará mais fácil compreender a influência que ele exerce sobre elas, já que o local onde crescemos define muito do que somos, não é mesmo?

Mas mesmo com toda a sua importância, o solo não é a única coisa que molda a personalidade do vinho, mas ele atua como sendo o palco desse espetáculo da natureza, onde o clima, as uvas e o produtor assumem o papel dos atores, ou das atrizes, que também protagonizam o show.

Para simplificar proponho definirmos o vinho como o resultado de um esforço conjunto de um verdadeiro trabalho em equipe no qual diversos são os fatores que influenciam na bebida que chega a sua taça.

O berço da parreira:

O solo é como um pai para as parreiras, um educador que mostra as dificuldades e as ensina a trabalhar para produzir resultados.

Solos pobres forçam as parreiras a aprofundar suas raízes em busca de água e nutrientes. Esse estresse moderado limita o crescimento das folhas e direciona a energia da planta para o amadurecimento e a concentração de açúcares, ácidos e compostos fenólicos nos bagos (taninos e aromas). Como resultado temos vinhos mais complexos, estruturados e de melhor qualidade. 

Solos pedregosos ou arenosos, costumam ter excelente drenagem, evitando o acúmulo da água que apodreceria as raízes e diluiria o sabor da uva. 

Solos de cascalho ou xisto absorvem o calor do sol durante o dia e retém esse calor para o momento mais frio da noite, ajudando no amadurecimento equilibrado das uvas, especialmente nas regiões de clima desértico e semi-desértico.

Solos muito férteis e de grande umidade geram excesso de folhas e uvas grandes, porém diluídas e com menor concentração de açúcar e demais compostos fenólicos, implicando em vinhos menos encorpados.

Veja que, o solo portanto, é um mix de minerais, matéria orgânica, água e ar, onde cada terreno transmite uma personalidade única à videira, e cada tipo de solo molda o vinho de uma forma muito particular. Veja a seguir: 

Solos de Pedra e Rocha:

A ardósia retém calor e gera vinhos minerais, elegantes, com alta acidez e notas florais. Um exemplo disso é a região do Mosel, na Alemanha.

O granito é duro o que faz com que as raízes se aprofundem em busca dos nutrientes, gerando vinhos mais aromáticos e vibrantes, com acidez viva e mineralidade salina, como em regiões do Dão e Vinhos Verdes, em Portugal.

O xisto é pobre em nutrientes, forçando as raizes a trabalhar mais. O resultado são vinhos potentes, estruturados, concentrados e com toque mineral, como no Douro, em Portugal.

Solos basálticos são do tipo vulcânico muito escuro que aporta excelente acidez, corpo firme e notas minerais profundas e escuras aos vinhos como no Oregon/EUA ou no Monte Etna na Sicília/Itália.

Solos Vulcânicos e Desérticos:

Solos vulcânicos são ricos em minerais únicos, viabilizando a produção de vinhos complexos, com notas de fumaça, pólvora, alta acidez e um perfil salino marcante, muito comuns na região da Sicília, na Itália.

Solos desérticos são naturalmente arenosos e secos, de climas extremos, gerando vinhos intensos, muito encorpados, frutados e com alto teor alcoólico devido ao sol constante, como Negev, em Israel e o Atacama, no Chile.

 Solos de Argila e Areia:

Solos de argila retêm muita água e mantêm as raízes frescas, o que favorece a produção de vinhos robustos, volumosos, ricos em taninos e de cores mais profundas, como os da região de Bordeaux, na França.

Solos argilo-arenosos apresentam equilíbrio perfeito. A argila traz corpo e estrutura, enquanto a areia garante elegância, leveza e frescor.

Solos arenosos drenam mais rapidamente a água, resultando em vinhos mais leves, suaves, menos tânicos, muito aromáticos e elegantes, como na região de Barolo-Piemonte, no norte da Itália.

Solos de Giz e Calcário:

São extraordinários dadas as suas características fascinantes de reter umidade, sem alagar, e também por refletir a luz solar. São muito comuns em regiões como Champagne e Borgonha, na França, onde produzem vinhos com acidez vibrante, extrema elegância e fineza. 

Clima:

É comum associarmos as regiões de clima mais quente à vinhos com características mais frutadas. Isso pelo fato de que regiões ensolaradas normalmente produzem uvas mais maduras, com maior quantidade de açúcar, implicando em vinhos mais frutados, de maior gradação alcoólica e acidez reduzida. Por outro lado, as regiões de clima mais frio, normalmente produzem uvas com menos açúcar, resultando em vinhos mais frescos, com menor gradação alcoólica e maior acidez.
Porém pensar no clima, considerando isoladamente apenas esses dois estados (quente ou frio), seria simplificar demais. Na prática as regiões de produção podem apresentar períodos, ora mais quentes ora mais frios, dias muito quentes com noites muito frias, ou variações significativas de ano para ano, ora com muita chuva, ora com geadas fortes e inesperadas. Observe que tudo isso irá impactar na qualidade das uvas e consequentemente nos vinhos. Nada é facil...

Altitude:

O plantio das parreiras em regiões de encostas, como morros ou colinas, também trarão reflexos nos vinhos. É que cada variedade responde de forma diferente às mais diversas faixas de altitude. Sendo assim, enquanto algumas variedades se adaptam melhor em altitudes mais altas, acima de 1200m por exemplo, outras irão se adaptar melhor em altitudes mais baixas. 

De forma simplificada, pense que quanto maior a altitude, maior será a influência do sol sobre as parreiras, ao mesmo tempo em que o ar mais frio, irá “controlar” o calor produzido pelo sol, proporcionando um amadurecimento lento das uvas, preservando a acidez natural, concentrando compostos aromáticos, sem elevar excessivamente o teor alcoólico. Os vinhos serão mais elegantes e perfumados, mais longevos. Por outro lado, o plantio em altitudes baixas onde a temperatura média é mais alta, produzirão vinhos  geralmente mais encorpados, frutados e macios, tendo ainda menor acidez natural. 

Hidrografia:

Vinhedos localizados em regiões próximas às margens de rios, ou do mar, serão favorecidos pelas influências de suas brisas e isso irá interferir na temperatura do continente, trazendo variações, para mais quente ou mais frio, viabilizando o amadurecimento mais equilibrado das uvas. Os vinhos apresentarão características mais frutados e macias, com mais corpo e também estrutura. 

Drenagem:

A videira odeia ter seus pés molhados e por isso uma boa drenagem, possibilitada por solos pedregosos ou arenosos, auxilia no escoamento mais rápido da água da chuva. Com solos não inundados as raízes das parreiras irão fazer o seu esforço natural indo buscar a umidade e os nutrientes em maior profundidade. E é nessa jornada profunda que o terroir entra em ação, absorvendo diferentes minerais que auxiliam a compor aqueles aromas e sabores fascinantes que você irá sentir na sua taça.

O Homem:

O homem, por sua vez, é o elemento que transforma todo esse potencial da natureza em arte líquida. Sem essa intervenção humana a natureza jamais conseguiria dar o acabamento final nesse produto que muitos de nós almejamos.
Falei aqui de alguns poucos aspectos que demonstram a importância do homem para poder refletir a sua filosofia, a sua sensibilidade e a cultura familiar, para se fazer vinhos. O trabalho é árduo e ocupa os 365 dias do ano do produtor.

O trabalho se inicia na preparação do solo e na escolha das castas que serão utilizadas na elaboração dos vinhos, passam pela aplicação das técnicas de manejo no campo, incluindo a escolha do momento certo da colheita. Depois vem a etapa da vinificação, que consiste na arte de se fazer vinhos com o emprego de todas as técnicas necessárias, o que exige muito conhecimeto e arte. 

Enfim, é isso! Espero poder ter contribuído um pouco mais, com informação sobre vinhos, e que isso possa ajudar você nas suas escolhas do dia a dia.

Se você gostou da matéria e quer saber mais sobre esse e outros temas relevantes, clique aqui e me siga no Blog.  

Até breve!

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